DISPLASIA DA ANCA



Sérgio Alves, Médico Veterinário e Cirurgião

Sócio Fundador e Administrador do Grupo Veterinário de Gaia.
Assistente e Palestrante em Congressos e Formações Nacionais e Internacionais

A Displasia da Anca é um problema ortopédico muito comum em cães, especialmente em raças de grande porte, que se caracteriza pelo desenvolvimento anormal da articulação coxofemoral (anca). Esta patologia ocorre quando a articulação entre a cabeça do fémur e o acetábulo (articulação coxo femoral) não se forma corretamente, resultando em instabilidade e em doença articular degenerativa (artrose). A Displasia da Anca é uma doença poligénica, multifatorial e hereditária. Está demonstrado que um cão para ser displásico tem de ter os genes da displasia, no entanto, nem todos os cães com genes de displasia desenvolvem a doença. Um cão que não tem os genes da displasia, não pode ser displásico. Por esta razão, cães radiograficamente normais podem ter descendentes displásicos e cães radiograficamente displásicos podem ter descendentes fenotipicamente normais. A nutrição e outros fatores ambientais podem afetar a expressão do genótipo e modificar o fenótipo da displasia.

Causas

  • Crescimento rápido
  • Alimentação excessiva
  • Excesso de peso
  • Falta de exercício ou exercício excessivo

Pode ocorrer em qualquer raça, mas é mais comum em cães de grande porte, por exemplo:

  • Pastor Alemão
  • Labrador Retriever
  • Golden Retriever
  • Rottweiler
  • São Bernardo

Sinais clínicos em cães menores de um ano:

  • Dificuldade em caminhar, saltar e subir escadas
  • Caminhar “à coelho”
  • A sintomatologia inicia-se ou é exacerbada com o exercício físico
  • Diminuição da tolerância ao exercício físico
  • Dor à palpação da anca

Sinais clínicos em cães maiores de um ano:

  • Os sintomas são devidos à doença articular degenerativa (artrose)
  • Dificuldade em levantar-se
  • Intolerância ao exercício físico
  • Caminha como um “pato”, com as extremidades em adução
  • Passos curtos
  • Musculatura atrofiada nos membros pélvicos e bem desenvolvida nos membros
    torácicos, para compensar a dificuldade de utilização dos membros posteriores

Diagnóstico

O diagnóstico é feito por um Médico Veterinário. Preferencialmente um especialista em Ortopedia e Traumatologia.

A Consulta Ortopédica implica:

  1. Observação clínica e avaliação da marcha. A visualização de vídeos do animal no seu ambiente natural ajuda na perceção do tipo de claudicação e na sua localização.
  2. Exame ortopédico: Com a palpação óssea, muscular e articular de todo o animal antes e após a sedação ou anestesia. Seguindo-se a realização de testes específicos, como o de Ortolani e Barden, para verificar a laxitude da cápsula articular.
  3. Exame Radiográfico: Com um Raio-X convencional, em posição ventrodorsal. Nos cachorros é efetuado com e sem distração, para verificar a laxitude da cápsula articular.
  4. Tomografia computorizada: Em caso de dúvida pode ser usado um recurso de imagem avançada, sobretudo para detetar sinais precoces de doença articular degenerativa (artrose).

Conselhos para a reprodução

O criador deve fazer o diagnóstico precoce da displasia, efetuando um exame radiográfico numa idade precoce, cerca dos 4 a 6 meses, com o método de distração, conhecido como PENNHIP. Os animais displásicos devem ser excluídos da reprodução.

Tratamento

O tratamento pode ser conservador ou cirúrgico, dependendo da gravidade:

Conservador (não cirúrgico):

Controle de peso evitando a sobrecarga articular ajudando a aliviar a dor;
Exercício moderado: A natação é o melhor exercício para promover o reforço muscular;
Controlo ambiental: colocar o animal numa cama confortável e num local quente;
Medicação: analgésicos e anti-inflamatórios não esteroides (AINES), condroprotectores, anticorpos monoclonais; Reabilitação: aplicando diferentes modalidades como, Laser, Electroestimulação, Magnetoterapia (como analgesia) e Treadmill aquático, para reforço muscular.

Cirúrgico:

Artroplastia da cabeça femoral: Consiste no corte da cabeça do fémur para reduzir o contacto entre esta e o acetabulo, seguindo-se a Terapia médica e a Reabilitação Osteotomia tripla ou dupla da bacia: Cirurgia efetuada, em fase de crescimento, num animal sem sinais de doença articular degenerativa, que consiste na osteotomia dos ossos que constituem a bacia e a colocação de material de osteossíntese, fazendo uma
melhor coaptação entre a cabeça femoral e o acetabulo. Sinfisiodese púbica: Cirurgia efetuada muito precocemente, que tem como objetivo fechar a sínfise púbica para alterar a conformação da bacia, permitindo um maior recobrimento da cabeça femoral pelo acetabulo. Pectinectomia: Técnica cirúrgica que consiste na extração de uma porção do músculo ou tendão pectíneo que atua como adutor da anca. Prótese total de anca: substituição da cabeça e colo femoral e do acetabulo, por uma prótese.

Prevenção

Seleção genética responsável excluindo da reprodução os animais com sinais artrósicos no exame radiográfico, dieta equilibrada: sem suplementos e exercício adequado durante todo o crescimento.

Se suspeita que o seu cão possa ter displasia da anca, consulte o seu Médico Veterinário!

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