2025 e tudo o que já devíamos saber sobre os gatos

Inês Guerra, Vice-Presidente da Ordem dos Médicos Veterinários

Os gatos são animais extraordinários, adaptáveis e que muito nos enriquecem
nas nossas vidas, ainda assim importa referir que vão exigir tempo, recursos e
não menos relevante vínculo emocional.
Os gatos nem sempre foram amados ao longo da história da humanidade, mas
certamente admirados, alvo de devoção e de perseguição, em boa parte
graças ao seu comportamento noturno, bem como capacidade reprodutiva.
A deusa Bastet era disso mesmo reflexo, era uma deusa egípcia associada à
fertilidade e era representada na forma de um gato.
Atualmente são os reis do nosso sofá e diria mesmo das nossas casas, mas
continuam a existir muitas dúvidas e erros, em relação aos cuidados que
devemos ter para com os nossos gatos.
Passarei a elencar alguns dos erros, que vejo com mais frequência na prática
clínica e que são importantes desmistificar:

“Os gatos precisam de banho”

Os nossos gatos passam uma boa parte do seu dia a lavarem-se, este
comportamento e as espículas que têm na língua permitem fazer a higiene e
manutenção do seu pelo, pelo que não precisam de banho, a não ser que
realmente tenham indicação para esse procedimento, por parte do médico
veterinário.

“O alimento húmido deve fazer parte da alimentação do gato? ”

Sim, os húmidos devem fazer parte da alimentação diária dos nossos gatos, o
facto de estarem associados a problemas saúde oral, advém de não existir
uma higiene oral correta.
Já o alimento seco tem um papel no efeito abrasivo em relação à superfície do
dente, poderá ajudar a limpar o mesmo, mas volto a referir crucial é lavar os
dentes dos gatos, independentemente do que comem.

“ Vive só dentro de casa é preciso vacinar? “

A vacinação é um passo fundamental para a saúde dos nossos gatos,
podemos através da vacinação proteger para doenças, que apresentam
elevadas taxas de mortalidade, por ex. a panleucopénia.
Ainda que a vida seja só dentro de casa é preciso ter em consideração que em
algum momento da sua vida poderá sair ou ter que ficar em ambiente hospital o
que poderá acarretar risco.

“Quantas vezes devo levar a consulta ao médico veterinário? “
Mínimo será uma vez por ano, se o médico veterinário aconselhar outro plano
de saúde o mesmo deverá ser seguido.

“Tem que se cortar as unhas”

Não existe nenhuma obrigatoriedade em cortar as unhas aos gatos, devemos
sim garantir que têm onde arranhar em casa, refiro-me a arranhadorespróprios, não nego que o sofá será sempre uma possível opção, mas há
soluções.

“Agarrar o gato pela zona do cachaço, está correto?”

Este procedimento é hoje amplamente desaconselhado, porque do ponto de
vista comportamental não é adequado e causa dor ao gato.
Apesar de ser feito pelas mães gatas aos seus bebés é exatamente nessa
altura que poderá ser usado, num gato adulto não é aceitável.

“Gato com cauda a dar a dar, quer dizer que o gato está feliz?”

Ora dentro do comportamento do gato este será sem dúvida um dos que mais
erros de interpretação gera.
A cauda no gato é o espelho das suas emoções e se com movimentos firmes
e rápidos devemos parar a interação com o gato e afastarmo-nos de forma
tranquila.

“Brincar com as mãos é uma boa prática? “

Não raras vezes brincar com as mãos é uma maneira que à primeira vista
poderá parecer divertida, o problema está em que o nosso gato é um predador,
portanto estaremos a ensinar-lhe que nós somos a presa. A longo prazo
poderá dar origem a problemas de comportamento graves.

Melhores locais do corpo de um gato para lhe fazer festas?

Ora sem sombra de dúvida a cabeça. A zona da cauda, barriga, patas são
normalmente aquelas que devemos evitar para garantir uma relação positiva
com o nosso gato.

“Microchip devo colocar? “

A colocação de microchip nos gatos é obrigatória de lei.
Este procedimento é efetuado exclusivamente por um médico veterinário.

“Organização dos recursos em casa que cuidados devemos ter?”

É crucial ter em conta a forma como organizamos os recursos nas nossas
casas, o bem-estar dos nossos gatos depende disso mesmo.
Assim divisão onde há caixa de areia, não deve existir comida e água.
Devemos ter a água longe da comida, ainda que possam estar na mesma
divisão.

“Caixa de areia e comedouros automáticos, obrigatórios?”

Recomendo vivamente recurso a caixa de areia simples, como seja um
tabuleiro, sem tampa, sem porta, sem todos os extras pensados para as
pessoas, mas que não representam benefício para os gatos, aliás as caixas de
areia automáticas podem levar a fobias nos gatos, que muitas vezes não as
querem usar, porque são pequenas, de difícil acesso ou até ruidosas.
Os comedouros automáticos, diria que há gatos que se adaptam outros que
começam a apresentar ansiedade antecipando os momentos de alimentação.

Passando a estar ao lado dos comedouros antes do alimento cair no prato, ora
isto a longo prazo poderá levar alterações comportamentais de relevo.

“Acesso a janelas – eles não caem!”

Ora como médica veterinária que trabalha em exclusivo em medicina felina,
posso desde já afirmar que é uma urgência recorrente, o “ síndrome do gato
paraquedista” designação usada quando nos referimos a quedas de alturas
elevadas.
Este síndrome pode ser prevenido, colocando redes nas janelas, varandas,
fechando os estores quando se abrem as janelas. Deixo uma nota, as janelas
oscilo batentes, também representam perigo para os gatos, que infelizmente ao
tentarem passar ficam presos.

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